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Palestras das conferências TED em alta resolução e com legenda em português e tiras relacionadas.

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Tabela com detalhes de todas as palestras

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Palestras por Temas

Cérebro, inferências bayesianas e movimentos

Daniel Wolpert. Neurocientista e engenheiro. 20m00s.

2011.

Fato: Evolutivamente memórias só são importante na medida que moldam nossos movimentos.

Meu exemplo favorito de como o teorema de Bayes funciona é esse narrado no livro “O Andar do Bêbado” de Leonard Mlodinow:

Eis o raciocínio de Dershowitz (advogado de OJ Simpson): 4 milhões de mulheres são espancadas anualmente por maridos e namorados nos Estados Unidos; ainda assim, em 1992, segundo as estatísticas do FBI sobre crimes, um total de 1.432 dessas mulheres, ou 0,0004 %, foram assassinadas por seus maridos ou namorados. Portanto, replicou a defesa, poucos homens que dão tapas ou espancam suas parceiras domésticas acabam assassinando-as. Verdade? Sim. Convincente? Sim. Relevante? Não. O número relevante não é a probabilidade de que um homem que bate na mulher acabe matando-a ( 0,0004%), e sim a probabilidade de que uma mulher espancada que foi assassinada tenha sido assassinada pelo espancador. Segundo as mesmas estatísticas do FBI em 1993, a probabilidade que Dershowitz (ou a acusação) deveria haver relatado era esta: de todas as mulheres que apanhavam dos maridos e morreram nos Estados Unidos em 1993, cerca de 90% foram mortas pelo espancador. Essa estatística não foi mencionada no julgamento.

Usando o método proposto nesse artigo sobre como visualizar o teorema de Bayes. Os argumento poderiam ser representados da seguinte forma:

(Mantive os grupos proporcionais aos números fornecidos)

Abaixo está representado a “probabilidade de que um homem que bate na mulher acabe matando-a”:

Ou seja, dentro do universo das mulheres espancadas pelos maridos as assassinadas por eles estão representadas por aquela minúscula bola verde à esquerda.

Porém, o importante é saber a “probabilidade de que uma mulher espancada que foi assassinada tenha sido assassinada pelo espancador”. Então, colocamos o grupo das mulheres assassinadas nesse diagrama. Com isso temos:

E ao invés de focar no universo de mulheres espancadas pelo marido, vamos focar no universo de mulheres que eram espancadas e que foram assassinadas, pois temos essa informação adicional. Só então, dentro desse universo verificar quantas são mortas pelo marido. Portanto, retirando o grande grupo acima vemos o que a acusação deveria ter mostrado (lembrando que nesses dois grupos as mulheres eram espancadas pelo marido):

Apesar de não ser prova de culpa alguma, pelo menos iria expor a falha no argumento da defesa.

No caso da palestra, no exemplo do jogo de tênis, o que Wolpert está mostrando é:

 

Assim, dada a nossa crença as possibilidades estimadas pelo nosso sentido poden ser reduzidas a intersecção do diagrama acima.

Todos os diagramas aqui foram feito com o Chart Wizard do Google, que não funcionou no Chrome, mas sim no Opera.  Ele só permite até três grupos. Caso alguém esteja procurando programas para diagrama de Venn veja esse post do Blazecock Pileon (antecipo que o pacote que ele menciona para R é uma grande porcaria feia).

 

Palestra em Baixa Resolução com Opção de Legenda:

 

PS: Pelo visto o TED aumentou o tamanho do player. Algum dia eu vejo se dá para contornar isso :(

  • 2 years ago

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Procrastinators leaders of tomorrow

Esses dias não estão sendo fáceis. Sei que não está fácil para ninguém, então não estou reclamando, mas o tempo para a procrastinação necessário para fazer os post diminuiu, assim vou passar a postar sem nenhuma periodicidade. Quem quiser ser avisado sobre novos posts e não tiver um tumblr pode seguir no twitter.

Para não passar em branco, um vídeo do Richard Dawkins no programa Inside Nature’s giants demonstrando o longo caminho que nervo laríngeo da girafa percorreu durante a evolução. 

Abaixo o nascimento de uma girrafa. Curto girrafas.

  • 3 years ago

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Anatomia, categorias e democracia

Alice Dreger. Historiadora. 18m48s.

2011.

Fato: Algumas pessoas com gênero não específico se submetem a cirurgias não por saúde, mas por categorização.

Matéria mostrando que ano passado a Austrália reconheceu uma pessoa com gênero não específico.

Há vários exemplos de que como  Alice Dreger disse:

A natureza não traçou a linha (…)  nós, na verdade, traçamos essa linha na natureza. 

Um exemplo disso aparece no Lesbian Pornadox :

Pense nessa situação: a garota 1 nasce à 1:30 da manhã em Paris, França, no dia 2 de janeiro. Então em todos os documentos seu aniversário está  marcado como dia 2 de janeiro.

Exatamente 1 minutos depois, a garota 2 nasce em Boston. Em Boston são 18:31 do dia 1 de janeiro. Logo os documentos da garota 2 mostram que ela nasceu dia 1 janeiro, enquanto os da garota 1 aparece o dia 2 de janeiro, mesmo que a última seja mais velha.

As duas se encontram em Los Angeles dia 1 de janeiro e decidem fazer um filme pornô no minuto em que as duas tiverem 18 anos. Então no dia 1 de janeiro as 15:32 horário local ( 18:32 em Boston e 1:32 da manhã do dia seguinte em Paris) a câmera começa rodar e elas a fazer cenas quentes de lesbianismo. 

Como elas estão na California, a garota 1 é considerada tendo 17 anos, já que seus documentos mostram que ela nasceu no dia 2  (apesar dela ter exatamente 18 anos e dois minutos). A garota 2 é considerada tendo 18 anos, já que os seus documentos mostram que ela nasceu no dia 1.

Se as garotas fizerem três cópias e mandarem para amigos em Los Angeles, Boston e Paris, alguma dessas cópias não será pornografia infantil?  

Outro exemplo de como a natureza não possui divisões ocorre na biologia e esse fato, como diz Richard Dawkins no capítulo abaixo do livro  ”O Maior Espetáculo da Terra”, pode ter sido responsável pela demora na descoberta de Darwin: 

Por que demorou tanto para aparecer um Darwin? O que explica a lerdeza da humanidade para atinar com essa idéia luminosamente simples que parece, superficialmente, tão mais fácil de entender do que as idéias matemáticas legadas por Newton dois séculos antes, ou mesmo que as de Arquimedes, dois milênios antes? Muitas respostas foram sugeridas. Talvez as mentes se intimidassem com a imensidão de tempo necessário para a ocorrência da mudança - com a disparidade entre o que hoje chamamos de tempo geológico profundo e o tempo de vida e a compreensão da pessoa que tentava entender. Talvez a doutrinação religiosa nos tolhesse. Ou quem sabe fosse a estarrecedora complexidade de um órgão vivo como o olho, onerada como é pela enganosa ilusão de um projeto deliberadamente elaborado por um engenheiro magistral. Provavelmente todos esses fatores tiveram seu papel. Mas Ernst Mayr, o brilhante veterano da síntese neodarwiniana que morreu em 2005 aos cem anos, expressou repetidamente um palpite diferente. Para Mayr, a culpa foi da antiga doutrina filosófica do essencialismo (como hoje a chamamos). A descoberta da evolução foi refreada pela mão morta de Platão.

A MÃO MORTA DE PLATÃO

Para Platão, a “realidade” que pensamos ver são apenas sombras projetadas na parede da nossa caverna pela luz bruxuleante de uma fogueira. Como outros pensadores gregos clássicos, Platão era, no fundo, um geômetra. Cada triângulo traçado na areia é apenas uma sombra imperfeita da verdadeira essência do triângulo. As linhas do triângulo essencial são linhas euclidianas puras, que têm comprimento, mas não largura: linhas definidas como infinitamente estreitas e que nunca se encontram quando são paralelas. Os ângulos do triângulo essencial realmente resultam em dois ângulos retos quando somados, e nem um picossegundo de arco a mais ou a menos. Isso não se aplica ao triângulo desenhado na areia; mas este, para Platão, é apenas uma sombra instável do triângulo ideal, essencial.

A biologia, na opinião de Mayr, é estorvada por sua própria versão do essencialismo. O essencialismo biológico trata tapires e coelhos, pangolins e dromedários como se fossem triângulos, losangos, parábolas ou dodecaedros. Os coelhos que vemos são apenas pálidas sombras da “ideia” perfeita de um coelho, do coelho platônico ideal, essencial, que paira em alguma parte do espaço conceituai junto com todas as formas perfeitas da geometria. Os coelhos de carne e osso podem variar, mas suas variações sempre devem ser vistas como desvios imperfeitos da essência ideal do coelho.

Que quadro terrivelmente antievolucionário! O platonismo considera qualquer mudança em coelhos um desarmônico afastamento do coelho essencial, e sempre haverá resistência à mudança, como se os coelhos reais estivessem amarrados por um cordão elástico invisível ao Coelho Essencial lá no Céu. A visão evolucionária da vida é radicalmente oposta. Os descendentes podem afastar-se infinitamente da forma ancestral, e cada afastamento torna-se um potencial ancestral de futuras variantes. Com efeito, Alfred Russel Wallace, o co-descobridor da evolução pela seleção natural (independentemente de Darwin), intitulou seu ensaio “Sobre a tendência das variedades a afastarem-se indefinidamente do tipo original”.

Se existe um “coelho padrão”, essa honra denota nada mais do que o centro da distribuição numa curva normal dos coelhos reais que correm, saltam e variam entre si. E essa distribuição muda ao longo do tempo. Com o passar das gerações, pode se gradualmente chegar a um ponto, não claramente definido, no qual o tipo usual daquilo que chamamos de coelho terá mudado tanto que merece outro nome. Não existe uma “coelhidade” permanente, não há uma essência de coelho pairando no céu; existem apenas populações de indivíduos peludos, orelhudos, bigodudos e coprófagos para os quais encontramos uma distribuição estatística de variações em tamanho, forma, cor e propensões. O que antes era o ponto extremo na distribuição do comprimento das orelhas pode passar a ser o centro de uma nova distribuição mais adiante no tempo geológico. Dado um número suficientemente grande de gerações, pode não haver sobreposição entre as distribuições de ancestrais e descendentes: as mais longas orelhas entre os ancestrais podem ser mais curtas do que as mais curtas entre os descendentes. Tudo flui, como disse Heráclito, outro filósofo grego; nada permanece estático. Depois de 100 milhões de anos pode ser difícil acreditar que os animais descendentes um dia tiveram ancestrais coelhos. No entanto, em nenhuma geração durante o processo evolucionário o tipo predominante na população diferiu acentuadamente do tipo modal da geração anterior ou da geração seguinte. Esse modo de pensar é o que Mayr chamou de population thinking, ou seja, raciocinar com base na população. Para ele, pensar da perspectiva da população era a antítese do essencialismo. Segundo Mayr, a razão por que um Darwin demorou tão despropositadamente a surgir em cena foi que nós todos - quer por influência dos gregos, quer por alguma outra razão - temos o essencialismo gravado em nosso DNA mental. Para a mente encerrada em antolhos platônicos, um coelho é um coelho é um coelho. Aventar que a coletividade dos coelhos constitui uma espécie de nuvem móvel de médias estatísticas, ou que o coelho típico de hoje poderia ser diferente do coelho típico de 1 milhão de anos atrás ou do coelho típico de 1 milhão de anos antes ainda, parece violar um tabu interno. De fato, psicólogos que estudam o desenvolvimento da linguagem nos dizem que as crianças são essencialistas naturais. Talvez tenham mesmo de ser, para permanecerem mentalmente sãs enquanto sua mente em desenvolvimento divide as coisas em categorias separadas, cada qual com direito a um nome só seu. Não é de admirar que a primeira tarefa de Adão, no mito do Gênesis, foi dar nome a todos os animais. E não é de admirar, na opinião de Mayr, que nós, humanos, tivéssemos de esperar pelo nosso Darwin até bem adentrado o século XIX. Para dramatizar quanto a evolução é anti-essencialista, consideremos o seguinte. Do ponto de vista evolucionário que raciocina com base na população, cada animal está ligado a qualquer outro animal - como o coelho ao leopardo, por exemplo - por uma cadeia de intermediários, cada qual tão semelhante ao seu contíguo que cada elo poderia, em princípio, cruzar com seu vizinho nessa cadeia e produzir descendentes férteis. Impossível violar o tabu essencialista de um modo mais abrangente do que esse. E não se trata de algum experimento mental vago, confinado à imaginação. Do ponto de vista evolucionário, existe realmente uma série de animais intermediários que ligam um coelho a um leopardo, cada um dos quais teria vivido e respirado, cada um dos quais teria sido classificado exatamente na mesma espécie que seus vizinhos imediatos no longo e fluido continuum. De fato, nesse continuum cada indivíduo da série foi filho de seu vizinho de um lado e pai de seu vizinho do outro. No entanto, a série toda constitui uma ponte ininterrupta do coelho ao leopardo - embora, como veremos adiante, nunca tenha havido um “leopardelho”. Há pontes semelhantes do coelho ao vombate, do leopardo à lagosta, de qualquer animal ou planta a qualquer outro ser vivo. Talvez o leitor já tenha deduzido por que esse espantoso resultado decorre necessariamente da visão de mundo evolucionária, mas deixe-me explicitá-lo mesmo assim. Eu o chamarei de experimento mental da curva de 180 graus.

Consideremos uma fêmea de coelho qualquer (por conveniência usaremos apenas fêmeas na argumentação; essa escolha é arbitrária e não faz diferença para nosso raciocínio). Ponha a mãe dela ao lado. Agora ponha a avó ao lado da mãe e assim por diante, voltando no tempo, voltando, voltando, voltando ao longo dos mega-anos, em uma linhagem aparentemente interminável de coelhas, cada qual ensanduichada entre a filha e a mãe. Andemos diante dessa linha de coelhas, regredindo no tempo, examinando-as cuidadosamente como um general que passa a tropa em revista. Seguindo a linha, acabaremos por notar que as coelhas de tempos muito antigos pelas quais passamos são um tantinho diferentes das coelhas modernas a que estamos acostumados. Mas a taxa de mudança será tão lenta que não notaremos a tendência de geração a geração, do mesmo modo que não conseguimos ver o movimento do ponteiro das horas no relógio - e que não conseguimos ver uma criança crescer, só notando mais tarde que ela se tornou um adolescente e, mais tarde ainda, um adulto. Uma razão adicional por que não notamos a mudança nos coelhos de uma geração para outra é que, em qualquer dado século, a variação na população corrente será, normalmente, maior do que a variação entre mães e filhas. Assim, se tentarmos discernir o movimento do “ponteiro das horas” comparando mães e filhas, ou mesmo avós e netas, as ínfimas diferenças que talvez vejamos serão eclipsadas pelas diferenças entre as amigas e parentes das coelhas que saltitam pelos prados próximos. Não obstante, de modo contínuo e imperceptível, nessa nossa jornada retrocessiva chegaremos a ancestrais que se parecem cada vez menos com um coelho e cada vez mais com um musaranho (e não são muito parecidos nem com um, nem com outro). A uma dessas criaturas chamarei de curva de 180 graus, e logo se verá por quê. Esse animal é o mais recente ancestral comum (na linha feminina, mas isso não é importante) que os coelhos têm com os leopardos. Não sabemos exatamente como é sua aparência, mas decorre do raciocínio evolucionário que esse animal inegavelmente teve de existir. Assim como todos os animais, ele foi membro da mesma espécie que suas filhas e da mesma espécie que sua mãe. Agora prosseguimos nossa caminhada, com a diferença de que fizemos a curva de 180 graus e seguimos à frente no tempo, na direção dos leopardos (entre os muitos e diversos descendentes nesse prolongamento da curva, pois continuamente encontraremos bifurcações na linha, nas quais escolheremos sempre aquela que nos conduza por fim aos leopardos). Cada animal parecido com um musaranho ao longo da nossa caminhada à frente é agora seguido por sua filha. Lentamente, em graus imperceptíveis, os animais parecidos com o musaranho mudarão, passando por intermediários que podem não lembrar nenhum animal moderno, mas que se assemelham muito uns aos outros, talvez passando por intermediários parecidos com o arminho, até que, por fim, sem jamais notar qualquer tipo de mudança abrupta, chegamos a um leopardo. Várias coisas devem ser ditas a respeito desse experimento mental. Primeiro, escolhemos por acaso ir do coelho ao leopardo, mas repito que poderíamos ter decidido ir do porco-espinho ao golfinho, do wallaby à girafa ou do homem ao hadoque. O importante é que, para cada dois animais, tem de haver um caminho que faz uma curva de 180 graus ligando-os, pela simples razão de que cada espécie tem um ancestral em comum com cada uma das outras espécies; só precisamos andar retrocessivamente de uma espécie até o ancestral comum, fazer a curva de 180 graus e seguir progressivamente até chegar à outra espécie. Segundo, note que estamos falando apenas em localizar uma cadeia de animais que ligue um animal moderno a outro animal moderno. Que fique muito bem frisado: não está ocorrendo uma evolução de coelho para leopardo. Suponho que o leitor poderia dizer que estamos involuindo quando fazemos o caminho de volta até a curva de 180 graus e então evoluindo quando passamos a seguir à frente depois de dobrar a curva em direção ao leopardo. Como veremos em um dos capítulos seguintes, infelizmente é necessário explicar, vezes sem conta, que espécies modernas não evoluem para outras espécies modernas. Elas apenas têm ancestrais em comum: são primas. Isso, como veremos, também é a resposta a um aparte inquietantemente comum: “Mas se os humanos evoluíram dos chimpanzés, como é que ainda existem chimpanzés no mundo?”.

Terceiro, em nossa marcha à frente depois de dobrar a curva de 180 graus, escolhemos arbitrariamente o caminho que conduz ao leopardo. Esse é um caminho real da história evolucionária, mas, repetindo um lembrete importante, escolhemos desconsiderar numerosos pontos de ramificação nos quais poderíamos ter seguido a evolução rumo a incontáveis outros pontos extremos: pois o animal na curva de 180 graus é o ancestral mais antigo não só de coelhos e leopardos, mas de uma grande fração de mamíferos modernos.

O quarto ponto, já salientado, é que, por mais radicais e grandes que sejam as diferenças entre os animais nos dois extremos do caminho que contém essa curva de 180 graus - coelho e leopardo, por exemplo -, cada passo nessa cadeia que os liga é muito, muito pequeno. Cada indivíduo ao longo da cadeia é tão semelhante a seus vizinhos quanto uma mãe e uma filha costumam ser. E é mais semelhante a seus vizinhos na cadeia, como também já mencionei, do que aos membros típicos da população circundante.

Podemos ver como esse experimento mental abre buracos no elegante templo grego das formas platônicas ideais. E podemos ver também que, se Mayr estiver certo e os humanos forem profundamente imbuídos de ideias essencialistas preconcebidas, ele também pode estar certo quanto à razão de historicamente considerarmos tão difícil de digerir a idéia da evolução.

A palavra “essencialismo” só veio a ser inventada em 1945, portanto não estava disponível para Darwin. Mas ele tinha grande familiaridade com a versão biológica dela, na forma da “imutabilidade das espécies”, e muito se esforçou para combatê-la sob esse nome. De fato, em vários livros de Darwin - inclusive mais em outros do que em A origem das espécies - só podemos entender plenamente o que ele quer dizer se deixarmos de lado as pressuposições modernas sobre a evolução e lembrarmos que grande parte do público de Darwin na época compunha-se de essencialistas que nunca duvidaram da imutabilidade das espécies. Uma das mais reveladoras armas de Darwin em sua argumentação contra essa suposta imutabilidade eram as evidências dadas pela domesticação, e esse assunto ocupará o resto do capítulo.

Palestra em Baixa Resolução com Opção de Legenda:

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2009.

Fato: “O problema dos estereótipos não é que eles são mentiras, mas que são incompletos.”.

 

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Derek Sivers. Empresário. 3m12s.

2009.

Fato: No Japão ruas não tem nome.

  • 3 years ago

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Criando Galinhassauro

Jack Horner. Paleontólogo. 16m37s.

2011.

Fato: As crianças querem dinossauros com dentes e garras.

O título dessa palestra no site do TED é “Construíndo um dinossauro a partir de uma galinha”. Trazendo para algo mais próximo isso seria semelhante à “Construíndo um primata a partir de um humano”. Isso porque como disse Horner:

A galinha é um dinossauro. Quero dizer… Realmente é. Você não pode argumentar com isso, porque somos os classificadores e nós classificamos desse jeito.

Tudo bem, mas porquê? Os estudos filogenéticos atuais incluem pássaros na sub ordem Terópode, pois possuem características como presença de fúrcula (“osso da sorte”), ossos preechidos por ar e três dedos nas mãos (que nos caso das aves, como explicou Horner, estão fundidos). Outros Terópode incluem os Tiranossauros Rex e os Velociraptors (que são muito menores que no filme). Há outras três subordens de dinossauros. Ou seja, galinhas são mais próximas de um T.Rex do que o T.Rex é de um Triceraptor* (que pertence a sub ordem Cerapoda). Assim, se quisermos incluir Triceraptor e T.Rex no mesmo grupo, devemos também incluir as galinhas nesse grupo. O diagrama abaixo mostra a classificação dos dinossauros:

Como diria Randall no alt-text dessa tira:

Birds are Aves, which is part of the clade Theropoda, which is in Saurischia, which is in Dinosauria. Those birds outside our windows are dinosaurs. We can clear out the rest of our brains because we now have the best fact.

A partir daí se pode discutir que o que Horner está tentando fazer é eliminar alterações específicas que ocorreram na linhagem dos pássaros e aos fazer isso recriar um Terópode primitivo. Não por acaso todos os dinossauros que ele cita na palestra  pertencem a essa sub ordem.  Porém a ausência de informações mais precisas sobre o comportamento desses animais (além das dificuldades de se achar genes que estejam correlacionados diretamente com comportamentos complexos) provavelmente limitarão parte dessa empreitada. De qualquer forma o “aluno da quinta série” (por acaso a série que eu estava quando com febre de 39 graus fiz questão de ir na pré-estréia do Jurassic Park)   dentro de mim acha válido.

*Antes que alguém diga que Triceraptor não existe mais, pois ano passado foi demonstrado que a espécie que conhecemos por esse nome é na realidade a forma juvenil do Torsaurus (que só possui dois chifres), lembro que o Triceraptor foi descoberto antes, logo seu nome tem preferência, sendo assim quem deixou de existir foi o Torsaurus. Algo parecido ocorreu com o gênero Brontossauro, porém nesse caso o nome mais popular foi substituído, ficando Apantossaurus. Um boa descrição dessa história, que inclui uma corrida por descobertas entre dois paleontólogos, está aqui.

Outra informação para você fazer sucesso nas festas é dizer que Pterodátilos não são dinossauros

Meio fora do tema, mas a menção da criação da raça maltês a partir de animais parecidos com lobos me lembrou desse documentário de 51 minutos sobre os perigos genéticos na criação de cachorros com pedigree.

Palestra em Baixa Resolução com Opção de legendas:

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  • 3 years ago

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Site do projeto criado por Jakubowski: http://opensourceecology.org

 

Palestra em baixa resolução com opção de legendas:

 

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